MORTE, PERDAS E LUTO
É muito comum ouvirmos as famosas frases: “A morte é a única certeza que temos na vida” e “Não há nada que o tempo não dê um jeito”.
Pois é... De fato sabemos que a morte existe, mas fazemos questão de negá-la o tempo inteiro. E por quê? Justamente pela angústia que ela nos traz.
Quando passamos por um processo de morte ou perda, ou seja, o rompimento de um vínculo, vivenciamos uma angústia.
Nosso tempo adquire uma outra configuração. É como se ficássemos paralisados, sem rumo. Estamos no presente, mas presos a situações do passado (única certeza concreta, vivida), sem perspectiva de futuro.
Ao perdermos alguém, passamos por uma assustadora e desorganizadora experiência, em decorrência da qual toda a vida parece perder o sentido. Não nos reconhecemos. Já não somos os mesmos... Somos um outro... E isso nos assusta!
Parecemos, também, desconhecer até as pessoas mais próximas... Tudo parece ficar muito distante!..
Ao longo da vida, evitamos falar da morte. Só fugimos! Não somos preparados para encontrá-la, mas, fatalmente, deparamo-nos com ela.
No momento da perda, o que mais ouvimos é: “Não chora, não!” “Bola pra frente!” “O tempo dá um jeito pra tudo!”...
Nossos sentimentos e necessidades são singulares e próprios. As pessoas, geralmente, não sabem o que fazer e o que dizer e, muitas vezes, a presença silenciosa seria a atitude mais coerente dentro desse contexto.
Há um tempo de chegar e um tempo de partir... E, em cada partida, em cada despedida, vivemos uma perda, um luto... Nossa vida está repleta de pequenos e grandes lutos... E isso nos traz a angústia do fim, e a angústia da consciência de nos percebermos não só na condição de seres mortais, mas também na condição de seres abandonáveis.
É o medo de perder, de nos perdermos em cada perda e na nossa própria perda, que nos deixa paralisados e sem rumo.
Lucelia Elizabeth Paiva
(site Casulo - Associação Brasileira de apoio ao luto)
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